Diagnóstico da ATM – Pode ser diferente?

Sintomas da DTM

Você já parou para pensar que pode haver tratamentos completamente diferentes para a mesma condição e pessoa, algumas vezes sendo um mais específico e outro menos?

Segundo a definição mais usada, o diagnóstico é o processo analítico de que se vale o especialista ao exame de uma doença ou de um quadro clínico, para chegar a uma conclusão. É também o nome dado à conclusão em si mesma.

Sendo o mais claro possível, a descrição das características físicas e sintomas tendem a ser iguais entre profissionais, o que muda, é o entendimento de, “o porquê” das características estarem presentes.  Alguns entendem que o estresse pode ser o culpado, outros veem o surgimento da condição por um problema sistêmico e há ainda quem vá para outros caminhos.  A partir destas diferenças, surgem também propostas de tratamento diferentes.

De acordo com o diagnóstico feito, será proposto um tratamento julgado adequado.

Antes de pensar em qual tratamento submeter, o mais prudente é buscar entender o diagnóstico, para que assim, se saiba o que fazer.

Já a Ciência busca uma verdade única, mas, infelizmente, o que acontece são diferentes verdades, ou melhor, diferentes formas de se entender os fatos. Um exemplo disso aconteceu na idade média, quando se faziam buracos no crânio para liberar os espíritos malignos que estavam aprisionados na cabeça e assim, conseguir a cura.

Este tratamento está certo? Sim, é mais uma forma!

Acredita-se que os maus espíritos estão causando a doença e esse é o tratamento adequado. Já ouviu falar sobre isso? Este procedimento já foi útil há muito tempo atrás.Tenho ATM

Julgando pelo tipo de cicatrização encontrado nos crânios, esses indivíduos viveram ainda por muito tempo após as trepanações.  O mais curioso é que estes procedimentos foram encontrados em diferentes povos antigos e todos no mesmo período do tempo.  Algo como um senso comum universal. Atualmente, a trepanação pode parecer absurda, mas temos outra concepção da origem das doenças.

Vale lembrar que, estamos em constante evolução e aprendizado, já que os conceitos e  métodos terapêuticos estão cada dia, mais minuciosos. Certamente, homens no futuro irão, no mínimo, achar curiosa a forma como encaramos os fatos na atualidade.

Referindo-se aos problemas que podem afetar a articulação temporomandibular – DTM,  existem formas diferentes de entender os fatores que causam os sintomas. Esta diferença  no entendimento dos fatores predisponentes, levam a tratamentos diferentes. Costumamos chamar as diferentes formas de entender a doença como escolas ou linhas de tratamento.

Linhas de tratamento da ATM

  • Biopsicossocial
  • Multifatorial
  • Neuromuscular

    como saber se tenho ATM ou DTM

    Conheça tratamento conservador da ATM

  • Neurofisiológica (mensurativa)

Não falaremos especificamente de cada escola, já que isso será citado em outro post.

Uma das escolas entende os problemas na ATM como uma disfunção temporomandibular, ou seja,  o complexo que envolve o funcionamento da articulação temporomandibular não estar funcionando bem. O tratamento geralmente é  direcionado para o controle dos sinais e sintomas. Muitas vezes, orientando o paciente a “aprender a conviver com os sintomas”.

Outra escola, foca no controle da ansiedade, ou seja, o problema está com o paciente. O estresse desencadeia sintomas envolvidos com os problemas da ATM, mas é um fator desencadeante, não de causa.  O controle do estresse é uma ação secundária ao tratamento, devendo ser instituída como fator de saúde geral, em todas as condições e para todos os pacientes.

 

 

diferentes verdades ou melhor, diferentes formas de entender os fatos. O DIAGNÓSTICO!

 

O diagnóstico, em outra linha de tratamento, é direcionado aos sinais e sintomas, como a localização da dor e comportamento do disco articular durante abertura e fechamento.

Está  errado? Não!  É uma forma de “entender” o problema.

Neste caso, como o diagnóstico é elaborado nas características dos sinais e sintomas, o tratamento também é de controle dos mesmos, sem que sejam sanados os fatores causadores.

Veja como o foco nos sintomas podem direcionar um tratamento somente paliativo:

DTM articular e DTM muscular:

Como exemplo, temos o diagnóstico de DTM, articular e muscular.  Ora, este diagnóstico é elaborado da seguinte forma: pede-se para o paciente colocar o dedo aonde sente a dor. Se este aponta em direção ao músculo, é diagnosticado como DTM muscular. No entanto, se este aponta diretamente sobre a articulação temporomandibular – ATM, é diagnosticado como DTM articular.

De acordo com esta classificação, são propostas abordagens terapêuticas diferentes:

Mas, isso é a localização da dor, não a causa do problema.  Vamos imaginar um caso em que o joelho esquerdo está com um problema, pois se obriga a fazer os movimentos usando predominantemente a perna direita.  Após um tempo, por usar demasiadamente a musculatura da perna direita, a musculatura dessa perna fica dolorida por não sobrecarregar o joelho esquerdo.

Seguindo a mesma lógica, apesar do problema estar no joelho da perna esquerda, como é a musculatura da direita que está doendo, esquece-se o joelho e trata-se a musculatura da outra perna. É basicamente isso o que acontece.

Em muitos casos o problema está na articulação temporomandibular, mas, como a musculatura tenta “compensar” essa deficiência, entra em espasmo ou hipofunção, que por sua vez gera dor muscular.

Estas dores musculares são sentidas como dores na face, dor de cabeça, e ombros, mas a causa está na articulação. Como tratar a musculatura?  Corrigindo e tratando a articulação, não fazendo compressa, aplicando botox ou uso de remédios para a musculatura, isso é, paliativo, ou seja, controlam a dor temporariamente.

E nos casos onde não há dor? Considera-se saudável?

A DTM articular e muscular referem-se à localização da dor, não são um diagnóstico.

Deslocamento do disco articular com ou sem redução:

Esta classificação também se refere ao comportamento mecânico do disco durante abertura e fechamento.

O que causou o deslocamento do disco?

Com o avanço da medicina, cada vez conseguimos entender melhor a origem das doenças. Observa-se isso na articulação temporomandibular.

Então, se você tem diagnóstico de DTM muscular/articular com redução, falta ainda muito mais informação.

Neste caso, o tratamento vai ser elaborado para sanar estas alterações. Como vai se tirar a dor na musculatura?

Vamos ver agora alguns métodos terapêuticos de tratamento da ATM:

Botox:

O botox age, fazendo um músculo que está doendo, parar de funcionar. Causa inativação na função do músculo que está com excesso de funcionamento.ATM e Botox

Então, trocando em miúdos, funciona assim: a articulação está com um problema e o músculo passa a trabalhar mais do que o normal para compensar a alteração na ATM. Este funcionamento a mais, espasmo, causa dor muscular e nos avisa que alguma coisa não está bem.

Qual o procedimento? Devolver a normalidade para a ATM, permitindo que os músculos possam trabalhar normalmente ou inundar os músculos com toxina que irá paralisa-los.

É o mesmo exemplo da casa onde dispara o alarme da cerca elétrica e ao invés de verificar se foi um invasor ou chamar ajuda, não damos nem a mínima e desligamos o alarme da tomada para parar o barulho.

Placa miorrelaxante:

Aí está um recurso que entra e sai de moda rapidamente. As placas miorrelaxante…

Mio= músculo, relaxante, placa que causa relaxamento muscular.

Ok!

Mas os músculos podem doer por dois motivos:

Hiperfunção: músculos estão trabalhando em excesso, processo também chamado de espasmo muscular.

Hipofunção: músculos não funcionam ou apresentam atividade bem reduzida.

ATM e placa miorrelaxante

Ainda tem mais uma variante que não costuma ser citada, que é o musculo que funciona contrário ao funcionamento. Ou seja: durante o movimento de fechamento da mandíbula, um músculo responsável pela abertura da mandíbula funciona concomitante. Muitas vezes, no mesmo paciente, vemos na abertura o mesmo músculo sem funcionar, onde  deveria sua correta função.

 

O fato é que, não se costuma medir o funcionamento do músculo. Uma placa miorrelaxante em músculo que já não funciona.  Qual a lógica? Relaxar um músculo que não funciona?

Muitas vezes, a recomendação é de uso noturno. E, durante o dia, quando mais usamos os músculos da mastigação, não precisamos de relaxamento muscular?

Discopexia:

É uma técnica cirúrgica, onde o disco é reposicionado na cabeça da mandíbula e mantido em posição por meio de uma âncora, posicionado na posterior da cabeça da mandíbula e fios de sutura para manter o disco na posição.

Assim, se o disco está fora de posição, é porque algum fator causou seu deslocamento (posteriorização do côndilo, mudança no eixo de crescimento do côndilo, processos sistêmicos).

Se o reposicionamento do disco for realizado diretamente, sem remover o que causou o deslocamento do disco, vai ser questão de tempo para que o insucesso apareça. Afinal, o disco vai ser mantido em posição à força e com o mesmo motivo que já causou seu deslocamento, agindo a favor do insucesso.

Fique esperto com os tratamentos propostos, sempre busque entender o que esta causando um sintoma e o mecanismo como esta sendo proposto.

Um disco que esta luxado (fora do lugar) por compressão articular (falta de espaço), se for recolocado e mantido no lugar por meios mecânicos sem devolver o espaço que necessita, certamente vai ficar instável.

Um músculo que esta doendo por excesso de funcionamento tentado corrigir uma articulação, se aplica toxina botulínica (botox) e o faz parar de funcionar, o que vai ser da articulação sem esta ajuda? O mais sensato é corrigir a articulação e por consequência o funcionamento natural do músculo e sanar a dor. Ou será que um ou dois pares de músculos sem funcionar não fazem diferença? A natureza colocou eles para não funcionar?

Procure ouvir opiniões de diferentes profissionais e principalmente peça para explicar os exames, o que esta causando e forma de sanar as alterações encontradas.

Agora que já sabe sobre diagnóstico veja um pouco mais sobre tratamento da ATM. Informe-se, o melhor que pode fazer por sua saúde.

 

Posted on 15 de fevereiro de 2018 in Diagnóstico, DTM, Patologia da ATM, Sintomas da ATM

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